Crise prejudica transporte de carga

A VarigLog, ex-subsidiária de logística da Varig, está transferindo parte da carga que não consegue atender nas rotas internacionais, por força da crise da Varig, para concorrentes estrangeiros, como a americana AirBorne Express.

A paralisação das aeronaves da Varig, que responde por 35% da receita da VarigLog, deve ter efeitos nos resultados da companhia. A ex-subsidiária estima faturar neste ano US$ 600 milhões, ante uma projeção inicial de US$ 650 milhões, uma redução de cerca de 8%.

"Estamos buscando soluções alternativas como contratos com empresas estrangeiras para cobrir a demanda de nossos clientes. Além de nossos cargueiros, também ocupamos os porões dos aviões da Varig. O cancelamento de alguns vôos afetou nosso desempenho", disse ao Valor o presidente da VarigLog, João Luís Bernes de Sousa. A VarigLog fechou contrato com a Airborne Express para transporte das cargas há um mês e pretende estender o prazo por mais quatro. A empresa também recorre aos serviços de Alitalia, Iberia e Pluna e Japan Airlines.

Do lado dos clientes, exportadores como os calçadistas estão preocupados com a crise da Varig e suas repercussões nos mercados de cargas doméstico e internacional. O receio das empresas é de um impacto mais profundo nas operações da VarigLog, pois a oferta de frete aéreo seria insuficiente para atender a demanda. O resultado passa pelo aumento de preço nos fretes aéreos.

"Se não houver uma solução [para a Varig], os concorrentes não terão capacidade suficiente para atender a demanda de carga na rota internacional", disse Plínio Fraccaro, diretor-presidente da Transcontinental Logística. Fraccaro afirma que muitas cargas importadas por clientes no Brasil estão demorando mais do que o normal. No mercado doméstico, a VarigLog vem cumprido os seus compromissos, avalia.

Ainda assim, a situação preocupa a indústria calçadista porque muitas fábricas de calçados se instalaram no Nordeste e continuam a importar insumos do Sul do país, utilizando os aviões como o principal meio de transporte. O presidente da VarigLog afirma que as operações para o Nordeste não foram comprometidas com a crise da Varig. "Temos quatro vôos diários para a região Nordeste. O que pode estar preocupando nossos clientes é a questão do preço. Mas tudo dependerá da variação da demanda", afirmou.

José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que outro segmento que pode ser afetado pela crise da Varig é o de produtos perecíveis, incluindo flores e frutas, que são exportados via aérea. "Mudar o sistema de logística representa um custo adicional para o exportador que já enfrenta o câmbio desfavorável", afirmou Castro.

Para reduzir a dependência da Varig, a VarigLog, controlada pela Volo do Brasil, que tem como sócio o fundo de investimentos americano MatlinPatterson, planeja ampliar a frota de aviões cargueiros próprios, além de passar a utilizar os porões, compartimento de cargas, de aviões de outras companhias.

Atualmente a companhia possui 12 aviões arrendados, cinco deles de grande porte, e outros 7 de menor porte. Conta ainda com os ´porões´ das 30 aeronaves em atividade da Varig. A VarigLog pretende investir US$ 260 milhões nos próximos anos numa frota de cargueiros que serão adquiridos por meio de arrendamento.

 

Fonte: Valor Econômico

 
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