Que é preciso
adquirir novas competências para garantir uma carreira
de sucesso, não é nenhuma novidade. O que
nem todos têm certeza é sobre quais são
as tão sonhadas competências que as empresas,
de fato, valorizam. E onde e como aprendê-las. Para
complicar mais as coisas, as empresas nem sempre conseguem
disponibilizar o treinamento naquilo que as diferenciam.
A maioria dos programas de T&D está com os dias
contados. Verdadeiras fortunas são gastas sem conseguir
produzir os resultados desejados. Continuam desvinculados
das estratégias e da solução dos desafios
que afligem as empresas. Afinal, foram concebidos para uma
realidade que já não existe mais.
Ao contrário dos programas que lhe oferecem, você sabe
que precisa enfatizar mais o futuro que o passado. Os instrumentos
servem para ajudar a compreender o futuro e não para
perpetuar o culto ao passado, como bem exemplifica a insistência
nas estratégias formatadas com base no que o competidor
fez no ano anterior. Para não falar nas pesquisas
de mercado sobre o comportamento do consumidor frente aos
produtos existentes, não face a produtos que ainda
serão criados.
As dramáticas transformações no ambiente
de negócios exigem o repensar dos programas de educação
de executivos, dotando-os de características que enfatizem
mais o pensar do que simplesmente o fazer. Precisamos mais
de novos modelos mentais do que do modismo de técnicas
passageiras. A maioria dos desafios apresentados pelos clientes,
fornecedores e comunidades requerem mais certas atitudes
e posturas do que meras soluções tecnológicas.
São necessários também programas que
enfatizem mais o "empresariamento" que o gerenciamento,
pois todos na empresa precisam ser estimulados a agir como
verdadeiros empresários do negócio, não
apenas gerentes de um produto ou um projeto.
Você também já deve ter percebido a necessidade
de programas que enfatizem mais o "fora" que o "dentro" da
empresa. O diferencial não reside mais no que se passa
dentro das "paredes" da empresa. Seu tempo não é mais
das 8 às 18 horas. É on-line, 24 horas diárias
todos os dias da semana. A ação está nas
novas fronteiras. Você sabe que os resultados estão
onde se encontra o cliente, o investidor, o distribuidor,
o ponto de venda.
Mas, o que fazer? Como descobrir e fortalecer seu ponto C,
seu diferencial de competência? O primeiro passo é assumir
a responsabilidade por seu próprio aprendizado contínuo.
Pare de esperar que a área de RH lhe ofereça
a próxima oportunidade de inscrição
em curso ou seminário. A responsabilidade da empresa é o
de disponibilizar opções para que cada um formate
seu próprio programa de treinamento. Não é de
oferecer um prato pronto para seu desenvolvimento.
Um humilde mestre de obra, em um canteiro de construção
civil, uma vez me revelou na sua linguagem simples, mas brilhante:
- "Chefe, a gente aprende por sucção,
não por recalque". Traduzindo: é preciso
focar mais na aprendizagem (sucção) que no
ensino (recalque). O máximo que um programa formal
de treinamento de executivos pode fazer é provocar
os participantes para debater a realidade do mundo empresarial
em que vivem. O verdadeiro aprendizado se dá muito
além da sala de aula. Ocorre no dia-a-dia, no trabalho,
em casa, na comunidade, no cinema, no clube, no lazer, nos
momentos de leitura e reflexão. Na sala de aula dos
programas formais, o máximo que pode ser oferecido
são instrumentos que o ajudem a refletir sobre sua
própria circunstância. E a buscar alternativas
sobre como mudá-la.
Os profissionais bem-sucedidos são ricos não
no domínio de técnicas aprendidas em salas
de aula, mas no intangível decorrente de um modelo
mental perceptivo, analítico, inventivo e transformador
da realidade em que vivem. No momento você pode aprender
muito mais sobre liderança, do que freqüentando
qualquer curso formal sobre o tema, assistindo a alguns filmes
que concorreram ao Oscar como O Diabo veste Prada, A Rainha,
O Último rei da Escócia e o seriado Amazônia
na televisão.
Pode também muito aprender sobre o comportamento de
um líder assistindo a um jogo de futebol com o goleiro
Rogério Ceni do São Paulo. Ou a uma partida
de vôlei orientada pelo técnico Bernardinho.
Ou lendo a biografia, escrita por Fernando Morais, do general
Casimiro Montenegro, fundador do ITA. Ou indo conferir a
próxima exposição sobre Leonardo da
Vinci na Oca, em São Paulo.
Cabe um alerta: as novas competências que você precisa
adquirir só serão úteis se coincidirem
com aquilo que vai agregar valor aos resultados da empresa.
Não adianta você ser supercompetente em algo
desatrelado das competências necessárias ao
sucesso do negócio da sua empresa.
E lembre-se: competência não significa conhecimento.
Competente é quem desenvolve a capacidade de aprender
a partir de sua própria experiência de cada
dia. A disponibilidade para aprender ao longo da vida é das
poucas competências duráveis em um mundo no
qual conhecimentos específicos se transformam com
rapidez em "commodities" perecíveis.
Fonte:
Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9
César
Souza - Presidente da Empreenda, consultor, palestrante e autor
de
livros.
E-mail: cesarsouza@empreenda.net