Entende-se
por Qualidade de Vida (QV) a percepção que
a pessoa tem de sua posição na vida, no contexto
da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação
aos seus objetivos, padrões, expectativas e preocupações. É a
sensação de bem-estar de uma pessoa que deriva
da satisfação com as áreas da vida
que lhe são importantes. Nos tempos atuais, é confundida
com o consumismo existente: eu tenho QV se possuo o carro
do ano, as roupas mais caras, os sapatos da moda, as jóias
mais cobiçadas, o corpo mais esbelto, se compro
o que desejo e o que a mídia e as "amizades" me
impulsionam a comprar, mesmo sem necessidade.
O termo QV passou a ser empregado
nos EUA após a
II Guerra Mundial, reforçando a idéia de que
para viver bem, não bastava estar economicamente estável,
devendo-se enfatizar a Promoção da Saúde,
englobando fatores que determinam a QV da população,
tais como a elaboração e implementação
de políticas saudáveis, a criação
de ambientes favoráveis à saúde, o reforço
da ação comunitária, o desenvolvimento
das habilidades pessoais, informações e educação à saúde
e a re-orientação do Sistema de Saúde
para priorizar a Promoção da Saúde.
Alguns dos instrumentos utilizados
para medir QV são
o Índice de Desenvolvimento Humano, que analisa as
condições de renda, educação
e saúde da população; o Índice
de Condições de Vida em que são analisadas
as dimensões renda, educação, infância,
habitação e longevidade; o Índice de
Qualidade de Vida composto pelos itens trabalho, segurança,
moradia, serviços de saúde, dinheiro, estudo,
qualidade do ar, lazer e serviços de transporte.
A QV passou a ser aplicada nas
situações de
trabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) pretende
adotar filosofia e métodos para uma maior satisfação
do trabalhador em sua atividade profissional. Tem uma perspectiva
abrangente, representa em que graus os membros da organização
são capazes de satisfazer suas necessidades pessoais
através do seu trabalho na organização;
pressupõe uma gestão dinâmica de fatores
que afetam a cultura e renovam o clima organizacional, refletindo-se
no bem-estar do trabalhador e na produtividade das empresas.
A baixa QVT tem se mostrado como causadora da crescente alienação,
da insatisfação do trabalhador e da queda da
produtividade, podendo gerar comportamentos como alcoolismo
e absenteísmo, entre outros.
Como a vida sem trabalho não tem significado, a QVT
pode gerar um efeito direto sobre a produtividade pela melhoria
da comunicação e coordenação,
motivação dos empregados e da carreira individual.
Influencia indiretamente a produtividade pelos efeitos da
melhoria do bem-estar e da satisfação dos trabalhadores.
Como vivemos grande parte de
nossa vida trabalhando, e o trabalho proporciona sentido à existência humana,
devemos tentar torná-lo o mais prazeroso possível,
já que a QVT não dialoga com ambientes de trabalho
estressantes, ruins, conflituosos, em que se convive com
fofocas, vilanias e outras atitudes inadequadas. Portanto
acaba sendo uma construção coletiva entre os
trabalhadores e seus empregadores, pela qual devemos cotidianamente
desejar.
Por Profa. Dra. Maria Lúcia do Carmo Cruz
Robazzi
Profa. Dra. Maria Lúcia do Carmo Cruz Robazzi - Escola
de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de
São Paulo / Profa. Dra. Maria Helena Palucci Marziale
- Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade
de São Paulo
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Fonte:
Gazeta de Ribeirão ( www.gazetaderibeirao.com.br
)