Assim
como os consumidores, as empresas também estão
cada vez mais atentas para a responsabilidade social. É o
que demonstra a segunda edição da Pesquisa
Ação Social das Empresas do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada no primeiro
semestre deste ano. O estudo mostra que, no Brasil, entre
2000 e 2004, a participação empresarial na área
social passou de 59% para 69%. São aproximadamente
600 mil empresas que atuam voluntariamente. Em 2004, elas
aplicaram cerca de R$ 4,7 bilhões, o que correspondia
a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB) naquele ano.
O
Ceará é o quarto estado do Brasil com maior
participação do setor privado na área
social. Entre 1999 e 2003, o percentual de empresas cearenses
que declararam fazer algum tipo de ação social
para as comunidades, em caráter voluntário,
passou de 45% para 74%, um aumento de 64%, cerca de duas
vezes maior do que o registrado no Nordeste como um todo,
onde o crescimento foi de 35%. Em 1999, o Estado ocupava
apenas a 11ª posição no País.
O
pesquisador da Fundação Dom Cabral de Minas
Gerais, Cláudio Boechat, diz que o grupo de empresas
que faz divulgação de suas ações
sociais e ambientais no sentido de agregar valor a sua marca
e dar exemplo à sociedade vem ganhando destaque no
mercado.
Ele
cita o exemplo da Natura, que obteve uma significativa
valorização das suas ações desde
que lançou os papéis na Bovespa, em 2004. No
ano passado, a valorização das ações
da Natura atingiu 38%, enquanto o índice Ibovespa
subiu 27,7%. Desde a abertura do capital em 2004 até dezembro
de 2005, a apreciação das ações
da Natura foi de 182,1%, mais de duas vezes maior que os
77% acumulados do índice da Bovespa. "A Natura
incorporou a filosofia ambiental e social aos negócios.
A linha de produtos Ekos, por exemplo, tem a aquisição
da matéria-prima sempre promovendo o desenvolvimento
local das comunidades", explica.
Outras
empresas também vêm obtendo reconhecimento
junto aos consumidores e ganhando mercado por suas boas práticas
sociais e ambientais. Boechat destaca o banco Itaú e
a Companhia Energética de Minas Gerais, que fazem
parte do Índice Dow Jones de Sustentabilidade da Bolsa
de Nova York, desde a criação do indicador
há seis anos. A Petrobras, a Aracruz Celulose e o
Unibanco também ingressaram no índice da bolsa
americana recentemente. O indicador avalia o desempenho social,
econômico e ambiental das empresas de acordo com 23
critérios estabelecidos, como governança corporativa,
relação com investidores, gestão de
crise e risco, eco-eficiência, gestão ambiental,
entre outros.
Boechat
explica que as empresas hoje tentam demonstrar sua preocupação sócio-ambiental à sociedade
das mais variadas formas. Uma delas é colocar certificados
e selos na embalagem dos seus produtos como forma de atestar
as suas boas práticas. Outra é investir no
marketing social e publicar balanços sociais como
os propostos por entidades como o Ibase e Instituto Ethos.
Em 1997, apenas 22 empresas tinham apresentado o seu balanço
social no modelo proposto pelo Ibase. Ano passado, o número
saltou para 98.
Um
dos selos que atesta essa preocupação social
por parte das organizações privadas é o
Empresa Amiga da Criança da Fundação
Abrinq, criado em 1995. Hoje, segundo informa a Fundação,
já existem mais de 1.027 empresas que contam com o
selo, sendo 90 no Nordeste e 10 no Ceará. Uma Empresa
Amiga da Criança é aquela que cumpre 10 compromissos
com a infância e a adolescência, prevenindo e
erradicando o trabalho infantil, garantindo saúde
e educação aos filhos de funcionários
e também investindo em ações que melhorem
a qualidade de vida de crianças e adolescentes.
A
Avon investe em alguns projetos, dentre eles estão
as caminhas contra o câncer de mama. ''Esses eventos
são meio esportivos e meio culturais, mas acabam também
exercendo um papel de responsabilidade social'', afirma Parente.
Pesquisas com as revendedoras Avon mostraram que 70% das
mulheres que participaram ou conheciam a caminhada fazem
o auto-exame.
Fonte:
Jornal O Povo / Portal dos Administradores ( www.administradores.com.br
)