Comércio absorve mais diretores e gerentes

 

A abertura de novos shopping centers e a expansão das grandes redes de farmácias, supermercados e das lojas que vendem produtos de luxo estão aumentando a demanda por gerentes e diretores para chefiar as áreas comerciais desses empreendimentos.

A demanda por esses perfis de profissionais está bastante aquecida justamente no momento em que o comércio abre as portas para os trabalhadores temporários. No Brasil todo, devem ser abertas 90 mil vagas este ano, um acréscimo de 5% a 6% em relação a 2005, de acordo com as consultorias de recrutamento e seleção.

Segundo Renato Nishimura, diretor e consultor da Case Consulting Executive Search, a demanda por profissionais para as posições de liderança no comércio aumentou porque as grandes cadeias de auto-serviços, como supermercados e farmácias, estão passando por um processo de expansão no momento. “Se analisarmos a expansão das redes de supermercados e farmácias, verifica-se que elas já têm uma loja em cada grande cidade”, observa.

Este ano, a Case Consulting Executive Search fez o recrutamento e a colocação de 50 pessoas (entre diretoria e média gerência) no comércio. Foram 10 profissionais a mais em comparação aos 40 que entraram no mercado de trabalho em 2005.

Outra tendência no comércio é a contratação de profissionais para outras áreas além da comercial. Estão em alta executivos de finanças, operações e recursos humanos. Esse mix de líderes de diferentes áreas que chegam às empresas visa formar um contingente de profissionais para mover novos modelos administrativos.

“ No comércio existe uma relação que é de um gerente para cada grupo de 200 funcionários operacionais, e de um diretor para cada equipe de 25 gerentes. Esse é o modelo genérico que as empresas do setor adotam”, diz.

Para os cargos de liderança, as empresas do comércio buscam profissionais com perfil agressivo em vendas: o que os consultores chamam de profissionais comerciais. “São pessoas especializadas em estratégias de compra e venda”, afirma o consultor da Case.

Na Manager, o número de vagas para média gerência e diretoria chegou a 517 no mês de setembro. Essa demanda gerou um crescimento de 12,57%, em comparação ao ano passado. As ofertas de emprego surgiram depois da reestruturação que algumas empresas fizeram para colocar no mercado aqueles produtos que ficaram estocados. A gerente de recrutamento e seleção da Manager, Eli Barboza, diz que as empresas fizeram projeções para crescer mais de 30% em 2006. O cenário econômico, porém, não colaborou para que as expectativas delas fossem superadas. O resultado foi o acúmulo de um grande volume de mercadorias.

A saída que as organizações buscam é atrair para o seu quadro aquelas pessoas que conhecem o comércio e possam trazer resultados positivos no curto prazo. As empresas que estão contratando esperam que os seus novos colaboradores demonstrem os resultados em um prazo de seis meses. “A área comercial está sempre em evidência porque é a vitrine da empresa. Em termos de remuneração, essa é a área que paga melhor os executivos, incluindo os bônus pelas metas alcançadas.”

De acordo com Márcio Miranda, presidente da Towsend, em 2006 a área comercial das empresas foi a que mais se renovou. “Um dos motivos dessa reestruturação é a busca das organizações pelo aumento nas vendas. O mercado brasileiro não cresceu conforme as projeções feitas no início do ano.”

Na Towsend, os principais contratos foram feitos pelas empresas de logística, importação e exportação, fabricantes de transformadores e geradores de energia e o mercado de luxo. As contratações, em especial nesse último mercado, de acordo com a consultoria, crescerão 50% em relação ao ano passado. Outro setor que está contratando mais para a área comercial é o de exportação e importação (alta de 35%); seguido de logística, que fechará o ano com demanda 20% maior. As ofertas de vagas nessas áreas são para direção comercial.

O mercado de luxo, que até então não investia no Brasil, segundo Miranda, empregou um aporte de aproximadamente US$ 1 milhão em inaugurações de lojas, importação de produtos e contratação de executivos em 2007.

Parte dessas lojas está instalada em shoppings e comercializa bebidas, perfumes, óculos, roupas e cintos importados da Europa. “A contratação nesse segmento é a que exige mais qualidade do profissional. Essas empresas buscam pessoas altamente especializadas e que conheçam os costumes do consumidor de luxo. Elas querem aqueles executivos que têm contatos no exterior e com os principais shoppings no Brasil”, diz o consultor.

Segundo o headhunter (descobridor de talentos) Laerte Cordeiro, da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos, nos últimos meses os anúncios nos jornais demonstraram que haveria uma tendência de aumentar a procura por executivos pelas empresas do comércio. No primeiro semestre, o segmento esteve aquecido porque as organizações investiram em infra-estrutura, na melhoria de processos internos e na produção.No segundo semestre, os investimentos diminuíram, as empresas estão com produtos estocados para comercializar neste final do ano. “As companhias montaram as suas estruturas para atender o mercado”, afirma. Ele observa que outro segmento que absorveu boa parte dos profissionais da área comercial foi o de serviços. “Esta área ocupa o primeiro lugar nas contratações porque tem mão-de-obra intensiva”, diz.

 

 

 

Fonte: Paulo Florêncio ( www.dci.com.br )

 

Receba nossa newsletter gratuitamente !! Acesse www.mmrbrasil.com.br/newsletter.htm