Planeje
sua liberdade, aprecie o que você tem, crie alternativas
Por
Maria Inês Felippe
Primeiro
de janeiro é o dia de muitas promessas, transformações,
desejos, imaginações, criações,
mas não ultrapassa isso, na maioria dos casos. Olhamos
muito para o que desejamos conquistar, por vezes desprezando
o que já conquistamos, até mesmo deixando
de polir, de comemorar as nossas conquistas. Por que gastamos
tanta energia fazendo ginásticas cerebrais e poucos
colocando em prática?
A reflexão transformadora exige de nós uma conduta agregadora,
evolutiva e de aplicabilidade. Será a busca do ideal ou a permissão
de que a conquista do sonho esteja cada vez mais distante, ou será um
mecanismo de defesa que nos convida a fugir da responsabilidade, de colocar em
prática os nossos sonhos? Será que nós colocamos nas mãos
do outro, do universo a nossa felicidade ou a concretizações dos
nossos pedidos? Ou será o medo de depararmo-nos com o fracasso ou até mesmo
com o sucesso, ou seja, com a conquista e não nos sentimos merecedores?
Ou é a famosa passividade do brasileiro?
Estejam certos de que, neste momento, estamos usando somente uma parte do cérebro
do nosso potencial, desprestigiando o outro ou convidando-nos a cair na rotina,
não identificando ou não criando oportunidades. Lembrem-se das
portas que se abrem para os perceptivos ou que se fecham na cara dos desligados. É como
se estivéssemos andando de forma desequilibrada, também como se
não acreditássemos na nossa potencialidade, na nossa auto-estima,
e na nossa capacidade de “colocar a mão na massa” e seguir
adiante, trazendo o novo, o reajustado para nossa vida.
“Eu quero, eu quero, eu quero” e, em muitos casos, deixamos de ver
o que temos, assim como deixamos de recriar a própria vida. A qualidade
de vida está em nossa cabeça. Quanto mais reconhecermos as nossas
conquistas, quanto mais construtivo forem nossos pensamentos, quanto mais melhorarmos
a qualidade das nossas idéias, maior será a nossa inteligência
e melhor será a nossa vida, sentindo-nos plenos ou parcialmente plenos
em nossas realizações.
Nós temos tudo em abundância: cinema, teatro, praças, canteiros,
sol, chuva, livros, sites, pessoas, saúde, inteligência, mas não
desfrutamos de tudo isso. Estamos sempre idealizando, sonhando, desejando, transformando
tudo isso em desperdício.
Antigamente, não podíamos muitas coisas, nossa liberdade era restrita;
hoje, podemos tudo, temos total liberdade de criar, transformar, dirigir a nossa
vida como quisermos e, assim mesmo, continuamos presos em nossos pensamentos
e em sonhos não concretizados, restando, ou melhor, surgindo um vazio
que deverá ser preenchido de outra forma. Muitas vezes, queremos doces,
mas sabemos que não vamos agüentar, deixando o resto na mesa do restaurante.
Levem-no para casa, comam-no depois ou busquem alguém para dá-lo
ou dividi-lo. Juntem os fragmentos que devem ser juntados, mas não os
desperdicem. Pensem o quanto vocês estão desperdiçando na
sua vida, quantas oportunidades perdidas em função de leis sociais,
insegurança, arrogância, etc.
Olhem para os seus caminhos percorridos, para suas criações, para
os resultados objetivos, passem a transformá-los e sigam em frente.
Pensem no que vocês são bons e naquilo que fazem muito bem, como
poderão ser cada vez melhores e criarem situações correlatas,
agregadoras, tanto do ponto de vista pessoal como social. Apropriem-se da sua
principal característica porque (ela) faz parte de vocês.
A reflexão transformadora
envolve:
*
reconhecerem suas conquistas;
* reconhecerem-se como pessoas com qualidades e constantes mutações;
* relacionem-se com pessoas opostas às suas características (certamente
irão agregar valor aos seus valores);
* flexibilizem-se com o objetivo de transformar uma informação
ou acontecimento, adaptando-a(o) e recriando-a (o) sem perderem os seus valores;
* elaborarem, vão além do pedido,do sonho;
* produzam e consigam que a informação ou acontecido chegue ao
outro de forma efetiva.
Não esperem algo, se vocês não respeitarem
o que vocês têm e o que são. A cobiça é desperdício!
Evitem serem escravos do dinheiro, ou do outro, ou dos sonhos:
ele poderá comandar-lhes,
mas se souberem usá-lo da forma certa e no momento adequado, isto poderá ajudá-los
a transformarem-se, levando à concretização de seus sonhos.
Criar, sem colocar em prática é pura ilusão, causa indignações
e frustrações, surgindo, assim, um circulo círculo vicioso.
Saiam da rotina! Se hoje vocês atenderam um cliente de uma forma, “de
que outra forma poderíamos atendê-lo?”. Se negociaram de
tal forma, “que outra forma poderiam negociar?”. Se criaram um
novo produto ou processo de trabalho, “que outro poderiam criar?”.
Se aproveitaram de tudo o que a vida lhes deu, “como poderiam aproveitar
mais e mais?”. Se ficaram felizes, “como fazer vocês e os
outros felizes também?”.
Pode parecer estranho, mas criar e colocar em prática exige disciplina,
esforço e reformulações de modelos mentais. Feridas do
passado, loucuras pessoais, sonhos frustrados, formas de pensamento poderão
ou não impulsionar o seu crescimento. É preciso inovar, agregando
valor ao que já existe: a humildade trocando lugar com a arrogância.
Muitas vezes estamos em um lugar querendo estar em outro. No final, não
estamos em lugar algum, nem conosco, ficando somente no mundo do desejo e da
imaginação.
O mundo empresarial poderá ser uma fonte inspiradora para ajudar-nos
a ver como tudo isso poderá acontecer.
No mundo corporativo, tenho cada vez mais percebido a preocupação
e a prática efetiva da inovação: reinventam processos,
produtos, forma de atendimento etc. A inovação transformou-se
numa forte aliada no mercado competitivo e percebo cada vez mais o reflexo
no caixa dos meus clientes que apostam nesse pensamento, praticando-o. Para
isso, foi preciso uma transformação na forma de pensamento, convidando
todos os colaboradores a pensarem além da rotina, apesar da sobrecarga
de metas e afazeres do dia-a-dia.
Em alguns casos, criaram-se áreas específicas para pensarem além
do cotidiano, com variedade de idéias, reaproveitando, adaptando, simplificando
e até inventando algo diferente. A variedade no pensamento nos ajuda
a gerar muitas idéias, não perdendo de vista os seguintes questionamentos:
1- O que fazemos bem e devemos continuar?
2- O que fazemos de ruim e que devemos parar da fazer?
3- O que não fazemos que devemos fazer?
A inovação tem de ocorrer o tempo todo. Não
existe mais a possibilidade de ficar um dia sem pensar em
algo diferente, sem analisar, sem ajustar e sem colocar em
prática. Devemos tirar os projetos da gaveta e da
cabeça. Não é somente ficar no sonho,
mas aplicando o princípio da dialética: “Pensar
com a cabeça na lua, com os pés no chão”.
Devemos aproveitar da liberdade que temos para criar, não
desperdiçando, o que temos, mas conquistando e criando
alternativas. Este é o lema para 2007!
Revisão: Dra. Yêda Camargo
Revisão gramatical e Cursos de Redação
empresarial
E-mail: yedamc@uol.com.br / tel.(11) 81813532 / 47864234
Maria
Inês Felippe: Palestrante, Psicóloga,
Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento
do Potencial Criativo pela Universidade de Educação
de Santiago de Compostela - Espanha. Palestrante e consultora
em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes,
Avaliação de Potencial e competências.
Treinamentos de Criatividade e Inovação nos
Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais
de Criatividade e Inovação e Comportamento
Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação
da APARH.
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E-mail: mariaines@mariainesfelippe.com.br