O
uso da criatividade no processo de negociação
Por
Maria Inês Felippe
Qualquer
cenário de negociação é um
local de tensão e pressão, por mais que possamos
estar acostumados a negociar e ocorrem dos dois lados.
Somos competitivos, pois desde criança fomos formados
para ser o primeiro, termos a melhor nota, e há aqueles
que foram criados com o lema: para ganhar é preciso
fazer o “outro” perder, para viver é preciso
matar, viver é trabalhar um leão por dia.
Fomos criados na ambigüidade, tais como: cooperação - competição,
verdade- mentira, curto - longo prazo, preto – branco, para ganhar é preciso
que alguém perca.
Negociar faz parte da nossa vida, desde os povos primitivos.
Viver é negociar.
Negociar é um processo de alcançar objetivo (s) através
de acordo em situações que ocorrem pensamentos divergentes e convergentes.
O que importa é levar ao segundo pensamento.
Exercício de pensamento divergente e convergente como também aplicação
de Técnicas Criativas de Problemas poderá facilitar no ato da negociação
criativa, já que negociar é resolver problemas, administrar conflitos,
etc.
A criatividade no processo de negociação favorece a flexibilidade,
melhor aproveitamento da diversidade e a conciliação de situações
opostas, encarando e conduzindo a negociação a favor de ambas as
partes.
Pensar no processo ganha- ganha diria que é uma inverdade, sempre envolve
dinheiro, interesses, status,. O que podemos pensar é no processo de conciliação
entre situações, que muitas vezes colidem, e buscarmos um denominador
comum, onde o processo de perda e ganho seja mais equilibrado e que, a criatividade
poderá favorecer o surgimento de uma terceira opção, ou
resposta, e que esteja de acordo entre ambas as partes.
Hoje, pa ra obter sucesso é necessário além do conhecimento
técnico, a habilidade para solucionar problemas, relacionamento, lidar
com a diversidade o que implica na utilização da capacidade criativa,
sendo pró - ativo e quebrando paradigmas.
A pessoa pró - ativa e criativa possui uma postura sempre firme em relação
aos diversos problemas que enfrenta, não só no mundo corporativo,
como também na sua vida particular, ela não quer fazer parte do
problema, mas sim da solução, não quer ser mais uma no meio
de 2000 e sim busca seu diferencial, move-se ao longo do tempo, ou seja, pensa
sobre o que acontecerá com o seu trabalho daqui a um certo tempo.
A
destruição mental de tudo que já existe é condição
primordial para iniciar o processo criativo. Grande parte do nosso pensamento é reativo:
respondemos à uma necessidade, resolvemos problemas, superamos dificuldades,
destinamos pouco tempo para a pró-atividade.
Podemos observar que os argumentos dos negociadores são basicamente os
mesmo, tais como: temos qualidade, preço, distribuição,
tradição, etc. O uso da criatividade poderá favorecer numa
mesa de negociação pelo o argumento do negociador fugindo do convencional
, garantindo de maneira firme e convincente a validade do que está sendo
tratado.
Vivemos num c ontexto muito agitado e por vezes robotizado
. A pausa criativa poderá ser a mola propulsora para o hábito pró-ativo, a
ociosidade poderá facilitar a geração de idéias,
embora recentemente durante um programa de treinamento um participante alegou
ser mais criativo em momentos sob pressão, relatando situações
vivenciadas numa mesa de negociação, trazendo idéias
criativas e produtivas.
Negociadores criativos são flexíveis sempre estão abertos
e criam a novas alternativas, muitas vezes melhor do que as propostas iniciais
na negociação, mesmo porque já colocou-se no lugar do oponente,
aumentando o nível de argumentação.
A
criatividade favorece enxergar o que todos enxergam, mas
visualizando coisas diferentes , transformando riscos em
oportunidades, identificando algo
a mais do que o cotidiano, favorecendo contornar objeções
,agindo pro- ativamente.
Negociar
não se aprende lendo e sim fazendo, para a criatividade não
existe erros e sim ensaios. A aprendizagem através dos erros e acertos é fundamental
tanto para a criação quanto para negociação.
Nos programas de treinamentos Criatividade em Negociação praticamos
jogos e simulações tendo como referencial a prática do desenvolvimento
do pensamento divergente e convergente, assim como exerc&iacu te;cios de
Analogia Inusual, onde favorece estabelecer conexões com situações
que, no primeiro momento, parecem antagônicas, assim como, praticamos as
etapas de Solução Criativa de Problemas. Estas estratégias
favorecem abrir a mente dos participantes e a quebra de modelos
mentais.

O
ponto de partida inicia-se nas fases de negociação já conhecida
por todos, vou apresenta-la de maneira sistematizada, embora na prática
as fases ocorrem em conjunto.
1-
fase – Informações
O ponto de partida é buscar informação do produto, mercado,
local, sinais do mercado, clientes potenciais conhece as necessidades, identifica
e provoca oportunidades, não somente considera o que tem para ser vendido
como também o que necessitam, é preciso saber as fraquezas e
os aspectos fortes do que vai negociar, do oponente as e da sua pessoa, reconhece
as objeções. Colocar o chapéu do oponente passa a ser
fundamental.
2-
fase - Criação
Nesta etapa muitas vezes o caos está instalado e as grandes desordens
mentais são construtivas, pois neste momento poderá ocorrer a
criação tendo como referencial a fase 1.
Fantasma do passa do não consegue resolver os problemas atuais, fazer
as coisas da mesma maneira, nem sempre garante resultados diferentes.
A falta da imaginação é e em grande parte responsável
pelos conflitos, onde as partes se recusam a imaginar o que o outro faria,
pensariam ou podem sentir.
Praticar o pensamento divergente, convergente, estabelecer analogias aumentando
a argumentação, poderá ser uma estratégia favorável,
nesta etapa.
Tenha uma idéia, e depois, pense: se não tivesse essa qual outra
teria, vá buscando mais de uma resposta para cada pergunta.
Pense: o que pode rá ser substituído, qual a equivalência
e assim por diante sempre gerando várias respostas. Isso é inovar é utilizar
da criatividade tornando-o competitivo.
3-
fase- decisão- conciliação
A figura do Consultor de Negócio passa a ser colocada em pratica em
conjunto com o oponente.
A escolha a decisão poderá favorecer o surgimento de uma terceira
opção através do escutar o oponente, embora somente escutar
não garanta a resolução da negociação, somente
resolve quando os interesses s& atilde;o opostos, campo este fértil
para o negociador criativo.
4-
fase - implementação
As pessoas agem como se desconhecessem as diferenças, normalmente não
praticam o que dizem. Todo o processo acima foi por água abaixo.
Surge novamente a necessidade de ser criativo negociando com fornecedores,
e comprador através de estratégias persuasiva.
A criatividade no processo de negociação envolve o ato de escutar,
criar, conciliar, decidir e finalmente administrar, tendo como referencial
a visão dos dois lados.
O desenvolvimento da percepção do negociador, favorece a visão
geral e específica do cenário de negociação, assim
como facilita a intuição, analogias e argumentação.
Cada vez mais a importância de pensar diferente, gerar idéias,
enxergar oportunidades num mundo cheio de estimulo passa a ser fundamental
para a sobrevivência das pessoas e das organizações. Ser
versátil no mundo das negociações favorecem o pensamento
criativo e mudar rapidamente enquanto é possível e por vezes
identificando o momento de parar ou de continuar.
Estimular o músculo da criatividade é fundamental, mas só exercitar
não adianta é necessário agir.
Considerando uma economia globalizada aumenta a necessidade de pensar criativamente
e agir estrategicamente.
“ No
mundo dos negócios
e na vida em cada problema ocorrem oportunidades para serem
desvendadas. ”
Maria
Inês Felippe: Palestrante, Psicóloga,
Especialista em Adm. de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento
do Potencial Criativo pela Universidade de Educação
de Santiago de Compostela - Espanha. Palestrante e consultora
em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de equipes,
Avaliação de Potencial e competências.
Treinamentos de Criatividade e Inovação nos
Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais
de Criatividade e Inovação e Comportamento
Humano nas empresas. Vice Presidente de Criatividade e Inovação
da APARH.
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E-mail: mariaines@mariainesfelippe.com.br